"Onde ele estava com a cabeça? Ele não me conhecia, mas se conhecesse ouso dizer que sua cabeça estaria em mim."
Tão louco ser verdade, lacinante e cheio de dores, ou ao menos melhor do que ser de mentira.
Morcegos aos montes, não sei bem a palavra que define o coletivo...
Por falta de termo técnico vou pelo popular: uma caralhada de morcegos, sugando as forças sem dó.
Criou os bichos durante anos, nem se dando muita conta do que estava fazendo. Alimentava de memórias mal aceitas, aceitações mal lembradas e cargas d'agua dos mais variáveis temas, sobretudo os próprios.
Não é por acaso.
Sempre gostou de sofrer, tornou desde cedo a melancolia artística. Asas demais pra pouco espaço, a ventania dos bateres fazia gelar a espinha. O coração quase chegou a congelar.
Terminar nunca foi o seu forte por algum motivo que não lhe pertencia o entendimento. Era sempre posto frente a frustração do recomeço, o lamento do fracasso e com mérito, sempre com mérito.
Apesar de reinar o mundo da retórica, não conseguia prestar real atenção e tão pouco dar o valor merecido às próprias amarguras. Do que importa sua opinião dentre outras bilhões por aí?
Um grão de mostarda poderia esmagar-lhe as ideias, tão fracas e apagadas de certeza. Não saber era uma constante insistente, todos os lados tinham sua coerência menos seu próprio.
Desculpa!
A culpa sempre foi, continua sendo e sempre será sua, mesmo que consiga ver culpa em qualquer outro que seja. Ou falhou por ter feito pouco, ou por ter exagerado, por talvez não ter ajudado o bastante ou mesmo ajudado demais.
Seres iluminados e detestados, todos aqueles que não estivessem na categoria de primeira pessoa do singular.Iluminados por estarem a uma distância (Deus queira) segura do seu escuro interior, odiadas por inveja do riso sem motivo, que em geral se poderia observar de qualquer João regular.
Odiava odiar.
Sonho manifesto era conseguir se enquadrar na segunda pessoa do plural ou o coletivo que fosse além da caralhada de morcegos sugadores de suspiro.
"Impossível ser feliz sozinho"
Ouviu centenas de vezes, entendia e concordava.
Odiava concordar, mas concordava com esse ódio.
Ser um é, e sempre vai ser melhor do que ser mais. Questão de practicidade, menos letras "s" e por conseqüência menos dor de cabeça.
Cada vez que tentava olhar para frente via fumaça e pontos finais, reticências gordas e malvadas. Três pontos finais para todos os lados, suruba de bolinhas pretas!
O apego e consolo é, foi e até então continua sendo a mesma coisa: pequenas coisas. Para além delas espera-se que tenha alimento o bastante para tantos morcegos, a fome é injusta para qualquer que seja.
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