quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Morcegos

"Onde ele estava com a cabeça? Ele não me conhecia, mas se conhecesse ouso dizer que sua cabeça estaria em mim."

Tão louco ser verdade, lacinante e cheio de dores, ou ao menos melhor do que ser de mentira. 
Morcegos aos montes, não sei bem a palavra que define o coletivo...
Por falta de termo técnico vou pelo popular: uma caralhada de morcegos, sugando as forças sem dó. 
Criou os bichos durante anos, nem se dando muita conta do que estava fazendo. Alimentava de memórias mal aceitas, aceitações mal lembradas e cargas d'agua dos mais variáveis temas, sobretudo os próprios.

Não é por acaso. 

Sempre gostou de sofrer, tornou desde cedo a melancolia artística. Asas demais pra pouco espaço, a ventania dos bateres fazia gelar a espinha. O coração quase chegou a congelar. 
Terminar nunca foi o seu forte por algum motivo que não lhe pertencia o entendimento. Era sempre posto frente a frustração do recomeço, o lamento do fracasso e com mérito, sempre com mérito.
Apesar de reinar o mundo da retórica, não conseguia prestar real atenção e tão pouco dar o valor merecido às próprias amarguras. Do que importa sua opinião dentre outras bilhões por aí?
Um grão de mostarda poderia esmagar-lhe as ideias, tão fracas e apagadas de certeza. Não saber era uma constante insistente, todos os lados tinham sua coerência menos seu próprio.

Desculpa!

A culpa sempre foi, continua sendo e sempre será sua, mesmo que consiga ver culpa em qualquer outro que seja. Ou falhou por ter feito pouco, ou por ter exagerado, por talvez não ter ajudado o bastante ou mesmo ajudado demais.
Seres iluminados e detestados, todos aqueles que não estivessem na categoria de primeira pessoa do singular.Iluminados por estarem a uma distância (Deus queira) segura do seu escuro interior, odiadas por inveja do riso sem motivo, que em geral se poderia observar de qualquer João regular. 

Odiava odiar.

Sonho manifesto era conseguir se enquadrar na segunda pessoa do plural ou o coletivo que fosse além da caralhada de morcegos sugadores de suspiro.

"Impossível ser feliz sozinho"

Ouviu centenas de vezes, entendia e concordava. 

Odiava concordar, mas concordava com esse ódio.

Ser um é, e sempre vai ser melhor do que ser mais. Questão de practicidade, menos letras "s" e por conseqüência menos dor de cabeça. 
Cada vez que tentava olhar para frente via fumaça e pontos finais, reticências gordas e malvadas. Três pontos finais para todos os lados, suruba de bolinhas pretas! 
O apego e consolo é, foi e até então continua sendo a mesma coisa: pequenas coisas. Para além delas espera-se que tenha alimento o bastante para tantos morcegos, a fome é injusta para qualquer que seja.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Blábláblática

Enquanto a vida passa correndo pelo cenário, os movimentos de seus olhos continuam lentos e cadenciados. É realmente muito frio no limbo entre a sensata sobriedade e os ares altos de uma boa viagem. Enquanto isso, acredito que cada um dos protagonistas, de cada uma das peças improvisadas da vida, continua achando que sua estrela brilha mais do que o próprio sol que o mantém aquecido.
Se enrolam em mantos de vaidade e egocentrismo, sem prestar muita atenção que no fim, os tons de verde só são variações de uma paleta de cores completamente limitada. Afinal, se todos os caminhos que eu peguei já estavam para acontecer de qualquer forma, só dependendo de reações minhas e nada menos do que isso, qual o grande lance sobre individualidade?

Engraçado pensar no assunto.

Na verdade, engraçado pensar e engraçado quem pensa sobre isso. Imagine que ao olhar para o lado, você pode facilmente se deparar com um outro antro de pensamentos e filosofias, um novo mundo, um universo inteiro circulando dentro de um corpo físico biologicamente muitíssimo parecido com o seu próprio corpo. A diferença entre nós todos, que somos tão iguais, é gritante! Gritante a ponto de ensurdecer as melodias da identificação.

Quem sou eu?

Quero ser eu mesmo ou quero ser tão bom como o outro? Ou talvez exatamente como o outro?

_Estacione na vaga da dúvida. Pare e sente, reflita e chegue a conclusão mais óbvia de todas as conclusões: Conclusão nenhuma.

Óbvio.

Óbvio como a obviedade pode ser, dura como a realidade pode ser, baseada na lei universal e irrevogável da relatividade absoluta de todos os pontos. Relatividade na limitação abstrata, porém presente, que dita a regra de que todas as alternativas são realmente possíveis por pelo menos um percentual mínimo de chance, sendo assim então planejáveis, e por tanto previsíveis.

Um nó realmente difícil de desatar acaba de nascer na cabeça.

Que cabeça?

Uma semente de dúvida que foi plantada fundo e foi muito bem regada, adubada por uma metralhadora de merda que ecoa por aí, vindo das mais diversas bocas. Cresceu, cresceu e agigantou mais ainda, chegando praticamente ao tamanho absurdo da falta de autoconfiança que um ser humano capaz pode ter.

Como você pode deixar de confiar em si? Você sabe que é maior do que todo o resto? Todo o mundo?

Todo mundo é ou todo mundo sabe?

Mas afinal de contas, você é protagonista do seu próprio seriado de TV (pra não deixar de ser piegamente clichê), como pode o protagonista dar errado e acabar mal na história?

POR MAIS QUE SE FODA, NO FIM VAI TER UMA LIÇÃO DE MORAL LINDA, UM CASAMENTO E TODOS OS PERSONAGENS DE TODAS AS TRAMAS REUNIDOS RINDO EM CÂMERA LENTA! EU SEI QUE SIM, JÁ VI ISSO MILHARES DE VEZES OU PELO MENOS UMA VEZ POR ANO NO FIM DA NOVELA.

CERTO?

certo.

Bom, chegamos ao ponto crítico em que foram tantas flechadas de tantos lados que o alvo vermelhobrancovermelhobrancovermelhobranco já está entupido de pontas. Já não suporta mais pedaços de pau pontudos, críticas construtivas, críticas infundadas, pitacos, conselhos ou café.

NÃO TEM ESPAÇO.

Nem pra choro e nem pra vela! Chega de formigas no meu bolo, de colegas pro meu pacote de bolacha ou de impostos para o dinheiro que eu ganho.

Chegamos em uma hora realmente difícil, uma hora em que contar as horas é hábito por ter que saber lidar com a distribuição das mesmas. Pouco tempo, pouco proveito, muita carga mas pouca carroça.

Falou tudo o que quis, falei, falou sem dó e sem se importar com o sentido do que quer que estivesse querendo dizer, falei. Sabia que no fim do texto alguém dentre as dezenas que levantaram os ombros e pensaram ''que cara maluco, devia estar chapado'', algum ser de divina compreensão e no alto de sua excelência intelectual, pelo menos um ser humano dentre 7 bilhões que poderiam acabar se deparando com as palavras digitadas, ao menos um infeliz entenderia sua linha de raciocínio caótica e aleijada de vírgulas.

Santa conivência!

O cenário continua correndo, rapidinho feito o 16x do vídeo. A música parece se adequar ao momento, e de uma forma realmente bizarra a cacofonia de barulhos urbanos acompanha em trilha cada pensamento de ódio, fadiga ou canseira. Odiamos todos  até que se prove o contrário por mérito de simpatia, consideramos o rebanho desnecessário além do próprio ciclo, esquecemos de pensar nos vários universos particulares. São bilhões de cabeças, bilhões de histórias.

Pouco me importa o além do horizonte, só posso ver até o fim da reta... se atrás da linha houver alguém pensando de forma carinhosa sobre mim e rezando para o meu bem, que estou do lado oposto, santificado seja o mesmo apesar da apatia continuar.

Digo amém para sua reza, independente de que fé seja. Só não me peça atenção, vou continuar concordando no automático por desinteresse, impaciência ou falta de vontade.

Mais um amém pro saco cheio de farinha, do pó viemos e para o pó retornaremos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Salmoura

Deixou de molho em salmoura, morna e limpa toda a carapaça dura e inflexível. Parecia impossível amolecer, mas a falta de perspicácia para tratar assuntos inacabadamente perigosos fez milagre, e como.
O passageiro trevoso e triste observou de longe, no alto de sua imparcialidade. Não queria despertar suspeitas para um ou outro de que poderia voltar a qualquer momento, na verdade tinha medo de não conseguir passagem novamente.
Todo o olhar felino fazia gelar a espinha, ao mesmo tempo que a sinuosidade das curvas (bem feitas demais para quem come tanta porcaria) esquentava até quase o ponto de ebulição qualquer coisa que estivesse dentro do peito, inclusive o aclamado coração.

Tive medo de não conseguir novamente, mas nunca soube até agora exatamente o que.

Não, eu sabia sim, ou melhor: sei.

A carnavália foi usada de desculpa das mais esfarrapadas para reaproximar os sonhos. Todos sabiam, mesmo que ninguém quisesse declarar, mas no fim o ímpeto venceu o bom senso.
Aqueles dias haviam sido maravilhosos e despertaram fantasmas escabrosos ao serem relembrados. Mas tudo certo, não é todo dia que dois exemplos de cabeça dura se chocam até abrir fenda.

Em cada poro e espaço vazio dos corpos houve invasão, era uma onda reconfortante e perturbadora por sua força.

Tudo deu certo, como não poderia deixar de ser.

Saliva, suor, unhas e dentes, calor e umidade, pulsação de membros e de falta de membros, uma verdadeira bacanal de sentidos maliciosos. Toda a prolixidade dos discursos era feita por capricho e nada mais. Rebuscava-se as sentenças para impressionar, tanto um como outro, eram leitores frenéticos de literatura corpórea, aqueles textos lacinantes  e tão pessoais que tornam a vida de quem escreveu uma verdadeira epopéia.
Faltaram poucas linhas antes da noite acabar, mas a obra conseguiu ser terminada com o sol do dia seguinte, ainda envoltos de lençol, pêlos e cabelos, além é claro de alguns fluídos criadores de vida.
A saudade estava disfarçada esse tempo todo dentro da casca dura, de um e de outro. Ela vinha de peitos orgulhosos e bonitos e de olhos tristes por temporada.

Santa salmoura!

Seu jeito de ler obras intangíveis era fantástico aos olhos, o mestre deve realmente ter orgulho, eu mesmo tive. 
Descobrir a beleza de categorizar todo um relacionamento melodramático como dramaturgia, era tão óbvio antes que nem chegamos a cogitar a hipótese.
Mesmo cego como um morcego podia ver a quantidade exorbitante de sentimento investido. 
Não era a primeira vez que lhe escrevia sentimentalidades, mas era a estréia de um novo modo de sentir, muito mais certo de si.

Não ande descalça, não deixe de se secar, use os malditos óculos pra variar.

Dentro de calças feias e largas demais estava claro e óbvio o desejo que sentia, mas ainda assim não era mais libido do que carinho.
Provavelmente ao morder a língua sentiu culpa de não ter feito tudo o que podia, mas o outro lado estava declarando fim de jogo na época.

Passou, não poderia ter dado certo começando no dia da mentira. Claro que não foi uma data intencional e tão pouco havia superstição em seus corações, mas o peso simbólico acabou se fazendo presente.

"Temos todo o tempo do mundo" - era o que dizia o ídolo chato da parte felina, eu mesmo sempre achei sua arte supervalorizada, mas tenho que concordar com a citação.
O passageiro trevoso e triste resolveu tirar férias, se isolar num deserto junto de um dromedário morto e pouco mais de mil carros vermelhos, além de uma xota flutuante. Fique por aí, te pago um sanduíche e coca zero.

Pra bom entendedor nem sequer palavras são preciso.

Ah, o amor.

domingo, 13 de outubro de 2013

Pontas

Minha almofadinha que estava cheia de agulhas agora respira melhor! Que bom que cada pontinha acabou sendo útil, abrindo espaço pro ar passar e preencher o vazio.
Mil vezes pensando nas dores e bolores, o drama do momento era sempre mais melódico do que a harmonia realmente pedia e no fim o ar fez muitíssimo bem, obrigado. 
Afiadas, as pontas deixaram um verdadeiro queijo suíço, formigueiro, esponja... mas como o terreno era fofo e cheio de fé, esperança ou o almejo que o valha, tudo ficou bem.
Alguns fios soltos formaram um ninho de gato bem interessante, me senti uma criança brincando com linhas ou uma velha Parca tentando ler a sorte de um refrão que ainda não parecia estar nem perto de chegar, uma vez que a segunda estrofe estava ali quase pela terceira linha. Mas acho que é inevitável. A ordem natural das coisas manda os girinos se sentirem sapos, e é assim que a banda toca, de improviso.
Cargas d'agua que acabam sem um bom motivo, explicações mal contadas, conversa fiada pra cochilo bovino... Faz parte da "girinêz". Todo alto de duas estrofes mandando o maior fuzuê de responsabilidade moral, o círculo ali te cobrando mais conhecimento de causa do que você de fato vivenciou e você ainda lembra que costumava se sentir dono da própria venta quando não passava de uma linha e meia.
Quase duas longas horas depois de ter começado a pensar, acabo chegando a conclusão de que conclusões não servem mais do que cabides quebrados. Completa perda de tempo concluir o que quer que seja a respeito do que for, a relatividade vai acabar te comendo com farinha. Seria muita prepotencia acreditar em qualquer conversa regida por parcialidade.
Como fez bem essa história de pontadas, sério.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Bruxaria

Era uma Bruxa mas não era nem velha, nem feia e muitíssimo pelo contrário.
Sua vassoura não voava, mas varria como nenhuma outra, era uma ótima vassoura.
Varreu do mundo toda a tristeza que poderia existir no meu coração, limpou com maestria.
Num passe de mágica me transformou, fazendo valer seu título de Bruxa.
No quê?
Em tudo o que eu não era.
Me fez como se nunca tivesse sido feito, mas me criou para o mundo e não para ela.
Decidiu que talvez laranjas não fossem o bastante.
Insisti na ideia, talvez só precisasse se acostumar.
Eu sabia que seria difícil
Tentei ignorar, não deu certo.
Tentei ter raiva, não funcionou.
Tentei tudo o que poderia.
Ela, ele... isso não era muito importante, ele seria eu e ela seria uma projeção do que eu gostaria em qualquer ''ela''.
Amaldiçoaram toda e qualquer Bruxa que possa ter vivido na terra um dia.
Como chegou a ter tamanha ousadia? Criação devia ser coisa de Deus e só.
Não sei quem foi, pare de me perguntar ok?
Escureceu o mundo das ideias, parecia bruxaria... muito efeito pra pouco contato.
Temporada de caçada, as Bruxas não poderiam sobreviver, por mais amor que tivessem as próprias vidas ainda assim seria menor em quantidade do que a vontade de ver cabeças rolando.
Minha vontade?
Nossa.
Eu.
.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O formigueiro

E o formigueiro vai seguindo em fila
Cada formiga preocupada em ser eficiente
Não deixando a própria mente
Desviar toda a atenção
E em total dedicação
Sem perder motivação
Que cada uma exerce sua função
Equilibrando toda uma estrutura
Obstinadamente elas seguem ‘linha dura
Sem parar de trabalhar em nenhum momento
O tempo todo o formigueiro está em total funcionamento
E as cigarras invejosas, faceiras e egoístas
Estão todas se mordendo e observando pelo muro
Cantando em boemia sobre o trabalho duro
Tornando música o suor e todo o esforço tão maluco
Tentando distrair as formiguinhas na maldade
Mas elas se organizam e prosperam sua cidade
Cada uma importante em seu próprio cargo
União fazendo força, açúcar e mui trabalho
As cigarras fanfarronas agora até dão risada
Mas quando chegar o inverno vão estar numa enrascada

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Adoçante

Passou a vida escapando pelas beiradas
Toda oportunidade para cruzar a linha era válida
A beleza do pecado sempre foi admirável demais para ser saudável
O gosto era melhor apimentado com proibição
Mesmo que o destino não fosse dos melhores preferia a euforia da danação
Doce veneno: cristal branco, apetitoso, de dar água na boca do Kamikaze

O gosto de adoçante já não satisfazia
A verdade era doce, muito doce

Açúcar?

Não devem usar adoçante na composição da verdade
Talvez usem cobertura de vingança, aquela que se come fria
Cuidado com as lágrimas para que não acabe em agri-doce, me alertaram
O sabor parecia tão real que deu até sede
A mente ficou melada de mastigar a realidade açucarada
Dentes metafísicos, todos cheios de caries e sujeiras...

Mas e a mentira?
Essa sim é feita de sacarina, estévia ou o diabo que seja.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pulo



Pulou o mais alto que pôde, sem parar para analisar as dores que a queda poderia causar caso fosse mal sucedida.

''Bem melhor assim diga-se de passagem!'' - disse para si mesmo.

O pulo foi considerável, mas as mãos não tiveram mais do que vento pra apalpar, vento esse que no fim das contas era parte do céu que fora almejado antes do salto, ótimo então. 

Os músculos estremeceram durante breves segundos, logo que os pés voltaram a pisar no chão e a sensação ligeira e passageira de formigamento era o máximo! 

Pouquíssimo tempo, mas tempo o bastante para se sentir livre do peso inverso que o mundo fazia contra o corpo. 

Quanta leveza!

Que maravilha que era poder pular, tão singelo, tão bobo, tão subestimado.

Felizes mesmo são os paraquedistas e saltadores.

Pulou por que queria se sentir nas nuvens, estar mais perto do criador.

Criou algum espaço entre seu ‘Eu’ e todo o resto. 

Por menor que fosse o tempo, pôde se sentir livre de qualquer sentimento ou pensamento ruim que estivesse lhe atormentando.

Quanta leveza!

Nada mais seria preocupação, não haveria mais estresse ou dores de cabeça, não durante o salto.

Catapultas e estilingues, foguetes e aviões, helicópteros e pipas empinadas, saquinhos plásticos de supermercado, folhas, pássaros, borboletas, abelhas, insetos voadores...

O céu é tão imenso que dá até vertigem, infinito demais por falta de redundância.

Quanta leveza!

Depois do pulo, resolveu se sentar para admirar o céu.

Lindo.

Virou o pescoço o máximo que conseguiu antes de dar torcicolo e acabou caindo deitado.

Riu de si mesmo.

Vagou com os olhos carinhosamente por cada milímetro de azul que conseguiu.

Lembrou do roxo da noite e do laranja do amanhecer.

Sorriu com a lembrança.

Quanta leveza!

Se perdeu na vastidão da miragem e nunca mais se encontrou.

Ficou feliz em se perder no meio de tanta beleza.

Viveu para sempre, virou estrela.

Plim.

Platônico Observador

Toda luz do mundo parou pra te homenagear, meu Deus do céu!

Quanta luminosidade, que cores mais vibrantes, que sorriso mais carinhoso para com meus olhos. 

Seus pais estão de parabéns, sério.

Se destacou do resto mundo, parecia um letreiro neon de motel no meio do breu da madrugada: viva, acesa, chamativa. Pegou minha desenvoltura e fez dela picadinho, jogou numa peneira de buracos mínimos e desintegrou o resto na primeira jogada de cabelo! Nossa, fiquei sem fala... mas tudo certo, não conseguiria falar mesmo. Se falasse sairia engasgado e nervoso, meus quinze anos de volta na prática, que tensão.
De longe a beleza vai ser sempre bela, de perto pode ser que perca a mágica, não poderia arriscar. Talvez seja covardia, mas algumas musas devem ser só pra admiração. Tocar o bibelô trás a possibilidade de estragar a obra, difícil pensar em deteriorar a imagem da perfeição. Não preciso saber o que ela come, que horas vai dormir ou os palavrões que solta nos momentos de raiva, realmente não preciso. Prefiro imaginar a princesa dos meus sonhos, que não passarão de sonhos por puro egoísmo! Tudo isso pelo simples fato de que no meu mundinho paralelo particular nada seria contrário ao que acho maravilhoso e dificilmente você seria uma pessoa tão maravilhosa quanto é linda, prefiro não descobrir.

Pelo menos eu acho.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Balão

Larguei sua mão

Te vi correndo para lá

Ali que não é muito cá

O vento veio me lembrar

Que deixei nosso balão voar


Cortou o céu

Feito papel

Rasgou o dedo, Fez sangrar


Jorrar vermelho no meu peito

Manchar a vida de um jeito

Impregnado de saudade

Fez gritar para a cidade toda

Tornar em som a nossa louca

História de romance e dor


Balão voou e me largou

Solitário e cheio de água salgada

Rolando a maçã e molhando a barba

Botando o sorriso em curva tombada


Lavando o céu

Limpando tudo

Mas o sangue insiste em ficar


Pintando meu peito de vermelho

Manchando a vida do mesmo  jeito

Impregnado de saudade

Berrando pra toda cidade

Gritando a agonia do amor

Nossa história é de romance e dor

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Carne indigesta

Você já me disse muita coisa, e isso foi de extrema confusão. Pensei em ficar quieto e fingir que não via, mas achei que seria deselegante. Meu interesse carnal vai existir sempre, sou homem e não posso negar isso, mas não acho justo te desrespeitar a ponto de responder as suas mensgens e insinuações desavergonhadas a altura, muito menos propor qualquer tipo de coisa. 
Que bom que você tem boas lembranças dessa nossa historia, fico realmente feliz, mas a menos que você pretenda despertar meu lado mais sacana de propósito, o lado que não vai estar ligando a mínima pro além de uma cama e quatro paredes, acho melhor que você não se insinue mais tão descaradamente. 
Arranco meus olhos antes de querer enxergar suas curvas novamente, não por falta de libido, mas por saber dos efeitos venenosos e catastróficos que poderiam ocorrer com o reencontro de nossas carnes.
No fim me conformei com a ideia de que fomos apenas passageiros na vida um do outro. Mesmo que na horizontal a química nos inflamasse, na vertical jamais daria certo. Amor e paixão se destinguem no preparar da carne: Amor é lentamente cozido no vapor, paixão é na chapa quente e tão bem passado que quase vira carvão. Vou lembrar de nós sempre com gosto de queimado e cheiro de fumaça.

Concha

Foi mastigado e engolido, no fim até conchinha rolou, e essa fez com que se sentisse namorado por alguns instantes. Era solteiro por opção, mas a sensação era de alívio. Para um eterno carente é sempre bom ter momentos de carícia. A solidão voltou depois de pouco tempo, mais gelada que sorvete.
Ao anoitecer, sozinho e pensante como de costume, não tardou a pegar-se devaneando a respeito dos motivos. Acidentalmente pegou-se então perplexo com a falta deles. Revirando os olhos voltou a pensar. Um ciclo vicioso havia se instalado em sua vida desde que a cabeça passara a funcionar por si própria:

Significado, deleite, vazio, resignificação, ascendência, sorrisos, significado, deleite, vazio de novo.

Se manteve arisco frente ao passado recente, saudoso frente ao passado antigo e receoso frente ao futuro. Não queria muito parar pra pensar, mas sua cabeça era vítima constante de violências subjetivas, violentando a paz de sua cabeça vazia por autoimposição. Era um bombardeio deprimente de ideias mistas, entre as geniais e as completamente sem nexo estavam as confusões de sempre.
Atordoado e sonolento ele continuou vagando sem rumo pelo mundo das ideias, coletando aqui e ali alguma inspiração que prestasse. Ao juntar palavras emperiquitadas com uma maneira charmosa de ordená-las, fez da sua cama um harém, sempre na esperança de uma nova conchinha. Conchas por conchas, sabia onde estava a pérola da sua, mas não poderia sequestrá-la, não dessa vez, teria que ser natural e mágico.

Que as estúpidas Parcas tecelãs fizessem um bom trabalho, essa era a prece da vez.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Luz

A velha senhora cega estava impaciente com a falta de sono de seus netos, resolveu contar-lhes uma história que pudesse acalmar seus ânimos. Eles pediram para que ela contasse sobre sua cegueira, sempre foram curiosos a esse respeito:

 ''A pequena Luz tinha agora sete anos e desde que se recordava era cega como um morcego. Parecia maldade seu nome de batismo, talvez uma piada de muito mau gosto, mas os pais só descobriram sua cegueira dias depois de seu nascimento. A visão em si nunca lhe fez falta, mas toda sua família ajoelhava em preces todos os dias para que seus pequenos olhos funcionassem normalmente.
 A pequena garota era amada demais por todos que a conheciam, tinha sempre um sorriso no rosto redondo e palavras doces para quem tivesse ouvidos. Era bonita como uma boneca de porcelana e delicada como uma flor, além de ser muitíssimo inteligente para sua idade.
 Ela vivia em um lugarejo afastado da urbanização, tudo ao seu redor tinha cheiro de natureza e gosto de natural. Mesmo sem poder enxergar, Luz gostava de passear ao ar livre durante as tardes. Como não estudava no colégio, por falta de estrutura do mesmo, pedia para que a mãe lesse todo material disponível na biblioteca que fosse possível. Era uma menina interessada por tudo, a curiosidade era sua maior característica, e sua maior paixão era a música.
 Num dia de cantoria descompromissada, fez com que a melodia doce de sua voz se espalhasse pelos quatro cantos do mundo. Não era volume, mas a pureza que contaminava todo o ar de toda a terra. Impressionantemente  sua voz chegou a lugares mais altos do que castelos e mais longínquos do que a  China, foi escutada por quem precisava ouvir.
 Um dia apareceu um velho corcunda na cidade, fora guiado pela cantoria. Ele tinha um ar sábio apesar de uma aparência maltrapilha. Como a casa da menina era a primeira vista do lugar, logo na entrada da cidade, foi lá que ele bateu.
 Foi muito bem recebido pela família, eles eram humildes e não tinham muito dinheiro, mas hospitaleiros com certeza seriam sempre, lema da casa. Serviram-lhe sopa, prepararam-lhe um banho quente e lhe deram roupas novas de presente, ''um andarilho esfarrapado não seria bem recebido na cidade'' eles disseram para o homem.
 Comovido com a recepção calorosa dos desconhecidos, o homem corcunda resolveu lhes conceder um desejo, apesar de não pronunciar o milagre. Eles nem mesmo haviam lhe contado sobre a filha cega, que no momento estava colhendo frutas com os irmãos, mas o homem era maior do que as palavras e conseguiu ler seus corações. Viu que apesar da vida simples e feliz que tinham, também carregavam a tristeza como inquilina permanente da casa.
 Feiticeiro que era, em silêncio e de olhos fechados enxergou a menina iluminada. Num piscar de olhos fez com que ela pudesse ver com mais clareza do que todos os outros. No momento seguinte, já de estômago cheio e roupas novas ele se despediu e seguiu seu caminho. Não queria glorificação, apenas fez o que tinha de fazer, estava ali para isso afinal.
 Do outro lado da cidade, a menina tomou um susto com toda a luz que surgiu de repente e caiu no chão, ralando todo o joelho. Foi inundada de cor e informação visual, não sabia definir o que era o quê e isso lhe deixou atordoada demais. Desmaiou, e então foi carregada para casa pelos irmãos assustados...''

_ Certo vovó, mas se você foi curada... não sei se entendi. Você ainda é cega! - exclamou o mais velho.
_ Bem, você não me deixou terminar. - disse a velha paciente.
_ Mas eu quero saber o final logo! - respondeu o garoto.
_ Bem.. acho que seus irmãos dormiram. Posso te adiantar a história, mas depois você vai dormir, certo? - a velha Luz ainda era perspicaz. Sua audição era maravilhosa, permitira-lhe escutar os roncos baixos dos outros dois meninos.
_ Tudo bem, mas me diga logo, poxa vida. - o menino estava impaciente.
_ Pois bem então.. - e a velha contou o que tinha acontecido.

Horas depois, já passando da meia-noite, o menino ainda estava acordado. Ele rezava assustado, não queria dormir para não correr o perigo de sonhar com o velho feiticeiro corcunda. Devia saber que sua avó de mau humor não seria uma boa contadora de histórias bonitas, ainda mais se tratando da senhora mais amargurada e ranzinza de toda a cidadezinha. Passou a vida toda depois desse dia se lembrando das últimas frases que a avó disse antes de sair do quarto arrastando os pés:

'' O mundo é lindo quando você não precisa saber de sua feiura. Preferi o escuro confortável depois de passar anos vendo quão macabras as coisas eram. Botei meus olhos para namorarem com um punhal, já havia visto o suficiente.''

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Atchim...

Não me venha com votos de saúde, não agora
Espirro palavras, escarro frases, vomito angústias
Gosto de aproveitar a doença das letras
Por para fora as ideias e conflitos que engasguem
Não morro sufocado por palavras
Aprendi a burlar a lei do silêncio
Definitivamente não morro sufocado por ideias
Questão de honra, ou não me chamo Valentim
Se não disse todas elas, pelo menos escrevi boa parte
Se não escrevi e nem falei, pelo menos cantei
Se nem ao menos cantei, então pensei
Se pensei, sei que disse para mim mesmo
Palavras e mais palavras
Quantas letras, quantos sentimentos
Quantas histórias, quantos momentos
A culpa fica pra escanteio, agradei a quem queria
O melhor público do mundo
Um por todos e eu por mim
Só.


O Vestido e a Lama

Vestido longo, se arrastando pela avenida molhada de chuva e suja de terra.

A lama estuprou violentamente a pureza branca do traje matrimonial, que dó. Aquele vestido havia sido escolhido a dedo e agora estava arruinado. Pedaços de pano estavam espalhados pelo chão imundo, afinal, depois de sujo e maltrapilho por escolha consciente, a noiva resolveu fazer picote de seus sonhos e planos, rasgando o vestido em pedaços, toda a extensão da calda até a altura dos joelhos.
Os olhos se mantiveram imaculados na doçura, em expressão se mantinham firmes, já em estética estavam péssimos: Todo aquele caminhão de maquiagem havia borrado com as gotas gorduchas da chuva, o resultado era visivelmente catastrófico. O sorriso, como a expressão do olhar, se manteve o mesmo desde o altar até o momento desesperador da rasgação, terno e confortável à vista. Os cabelos embaraçados e cheios de arroz recém jogado, sua cabeça era uma plantação de cereais e ideias perturbadoras.

Engraçado como dependendo da situação a mesma expressão facial pode indicar normalidade ou psicopatia.

Junto aos restos sujismundos de vestido espalhados pelo chão, estavam os vários nomes de amigas solteiras, fadadas agora ao fracasso lamacento emocional. Todas as que apostaram sorrisos e votos de boa sorte agora estavam envoltas da energia negra da desistência. Nenhuma tinha culpa, e na verdade poucas delas saberiam do ocorrido. Era uma questão intima, mas todas estavam ali, jogadas na lama e de conchinha com os sonhos desfalecidos.

Sonhos encharcados e sujos de terra.

A noiva era uma figurante bizarra na cena. O foco estava para os finalmentes, dando pouca ou nenhuma importância aos motivos. Era uma mulher na flor da idade, sendo regada pela tristeza apócrifa da incerteza, abandonando as vigas de sustentação da própria existência, entrando de cabeça na maiêutica socrática, procurando sua liberdade na raiz do questionamento, buscando redenção e principalmente limpeza na tempestade mais próxima, que afinal sempre serviu para lavar a alma.

Prefiro ser viúva de um sonho do que noiva de um aprisionamento. Não tiro o mérito da conquista de meu amado mal amado, mas me faltaria liberdade para sorrir flertando em direção aos outros rapazes, ou para me engalfinhar em amassos maliciosos com outros ''eles ou elas'', ou ambos juntos, três, quatro, dez... quem liga? Fato é que não estou pronta para ''sermos'' quando ainda nem ''sou'' direito.

Lembrou do amor passado, o carinho encheu o peito, que esvaziou mais rápido ainda. Acordou no momento seguinte, transpirava e respirava pesado. Suas mandíbulas estavam contraídas e doloridas demais, o pesadelo havia causado isso. Pânico ao pensar na possibilidade belíssima de estar livre da obrigação, ter que escolher uma boa resposta entre ''sim'' , ''com certeza'' e ''sem dúvidas''.
Seu corpo escultural ainda estava amarronzado da lama. O inconsciente havia sido confortável durante as horas de desmaio, será que aceitariam uma inquilina irrequieta de volta?

''Adeus mundo cruel'' - ela disse então, e saiu marchando, avassalando a vida, atropelando os padrões, arrombando os portões, tratando com crueldade a vida que até então fora cruel, simplesmente por ter sido comum.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Acho que...

PÔ, não acho nada.

Eu já ia ''achar'' alguma coisa, mas resolvi não ''achar'' coisa alguma. No mundo já tem tanto ''achista'' que o tal ''achismo'' já está ficando chato, repetitivo, enfadonho... Mesmo quem ''acha'' baseado em outros ''achares'', por mais embasados que sejam, ainda acaba sendo só mais um saco cheio de ''achismos''.

Acho que...

Particularmente ''acho'' que ''achar'' já está se tornando (faz bastante tempo) uma grande e tediosa palhaçada.

Palhaços, circo, parece bom.

Não por ser engraçado e divertido, mas por ser vulgar e colorido demais.

Poxa, que saco.

Muita cor nas bochechas ''achistas'', inflamadas de afirmação ''achadamente'' contundente. Muita vulgaridade nos ''achares'' espalhafatosos, dos que ''acham'' que sabem demais por terem lido ou visto mais ou menos filmes ou livros.

Mas eu não acho, tenho certeza!


A ''certeza'' que anda numa crise existencial horrenda, está realmente chateada.

Ops..

Crise essa pelo fato do título ''certeza'' ser só uma ridícula promoção do famoso ''acho'' para um concretismo da famigerada cabeçadurísse, o que convenhamos, não é lá uma das melhores formas de existir.

É, de fato...

Já a ''dúvida'' anda em alta, cúmplice e fiel escudeira do ''achar'', está sempre pairando nas cabeças por aí, inclusive na minha.

E a convicção, a quantas anda?

Vai de mal a pior, afundando num bote furado num mar de incertezas e ''achismos'' vazios.

Você está realmente acabado, cara.

Eu sei.

Previsibilidade Dual

Gritei tão alto que os olhos saíram das órbitas por meio instante, quase ninguém escutou. Não foi com a garganta que berrei, mas sim com o pensamento, isso justifica a falta de público. Brado interminável e furioso, com direito a eco subconsciente, fazendo vibrar os portões energéticos e os pontos acupunturistas.
Foi do fundo do peito, afiado por pedaços pontiagudos e angulosos de um coração quebrado, lixados no bom e velho 'pedra contra pedra'.
Tudo em volta até então era ensurdecedor, e eu precisava que o mundo se calasse pelo menos por alguns minutos. Então gritei sem dó, para rebater os outros vários barulhos infernais que insistiam em não calar por vontade própria. Alguém precisava botar ordem no galinheiro emocional, certo?
Não foi educado e pomposo como de costume. Notei que o resto se assustou, e isso me deixou contente de certa forma. O vermelho e o branco, vulgo resto, ficaram mudos e perplexos, boquiabridos com tal ato de revolta. Afinal de contas, eu havia passado a vida toda dando ouvidos para um ou para outro, ninguém esperava um surto no meio do caminho, nem eu e nem eles.
O ''sim'' e o ''não'' sempre foram as opções cabíveis e viáveis, sem direito nenhum a qualquer tipo de meio termo, eu estava cansado disso. Chifres ou auréolas, asas brancas ou pretas, yin ou yang, DC ou Marvel, Playstation ou Nintendo, céu ou inferno... haja saco.
O limbo parecia libertador de uma maneira bizarra, purgatório por excelência ou por falta de vontade em seguir um caminho tão pragmaticamente programado. Toda dualidade do mundo se tornou maçante pela falta de opção. Sendo mais coerente na afirmativa, retifico: Milhões de caminhos, mas finais reduzidos ao dual.

Qual o problema afinal em ser por ser, sem se preocupar com o enquadramento? Onde fica a beleza do talvez? Não saber com certeza absoluta é crime? Pecado?

O espírito clama por liberdade, que só é livre até a página dois. Complicado sim, por ''A'' mais ''B'', e nem cogite outra letra qualquer do alfabeto, a menos que tenha um par oposto pra oferecer. O refrão repete, pra não ficar só na primeira vez, e que se mantenha em números divisíveis por dois. Pule sete ondas no ano novo para se rebelar contra a inocência cristã do seis ou do oito. Seja reto nos caminhos ou ande torto até o tormento.
O mundo pede em suas preces por mais reticências e vírgulas! O caminho fica realmente entediante quando é corrido e sem pontuação, mas principalmente quando é previsível. O plural é idealizado como perfeito, por isso o singular está sempre em depressão. A arte está na tristeza de ser só, por mais rondado de gente que se esteja. Bonito mesmo é ser sozinho e tristonho. Por isso torço pelos artistas, e principalmente torço mesquinhamente para que eu mesmo não acabe me estereotipando na categoria.

Melhor burro acompanhado do que inteligente solitário.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Leite Derramado

E o leite derramado já está quase coalhando. Criou uma poça gigantesca de sujeira láctea, que manchou uma vida inteira, e nem todos os litros d'água salgada que os olhos produziram foram suficientes para lavar tudo. Leite denso, espesso e branco, que embranquece toda história e apaga toda boa memória.
Depois do leite veio o resto: a vida foi passando devagar, em marcha realmente lenta. O leite foi ficando cada vez menos fresco na memória e a vida foi seguindo seu rumo despreocupadamente. Seguiu e seguiu, até chegar ao gosto de café, vida adulta. A mancha continuava lá, intacta e intangível, tornando o gole preto num marrom Pingado.
E mesmo que as borboletas tivessem seguido por outros caminhos, a ordem das coisas não poderia ter sido vista por outros ângulos. A teoria do caos se mostrou vigorosa e empapada de litros infindáveis de leite semi-desnatado, botando em ordem todas as coisas de forma desconexa, porém precisa. Não foi preciso engordar sadicamente as partes feias e traumáticas da existência, e por isso digo Amém! Além dos sapatos perigarem rasgar o solado, em caso de demasiada engorda, o leite derramado por si só já fez o serviço de impressionar pela pureza do branco infinito, cor de nada. Então o semi-desnatado serviu bem, inquestionável.
Incapacidade de ver além de dois palmos frente ao nariz, esse ainda é o maior defeito de qualquer ser humano que se preze. Talvez por isso o leite não seja tecnicamente ''limpável'', a cegueira sempre nos impede de enxergar os caminhos para a higiene emocional. A impossibilidade de empatizar com o ser humano que erra, acaba tornando o dedo acusador num juiz irracional, sem mãe, pai ou amor que valha um sorriso no rosto.
Cristificando o homem que sabe perdoar, acabamos esquecendo da capacidade de interpretar também o personagem que com nobreza consegue compreender falhas. O simbolismo da santidade é, acima de tudo, santo por saber perdoar e esquecer. Religiosidades a parte, mesmo um espinho que fosse enterrado com brutalidade na santa testa poderia ser esquecido no momento seguinte, tudo em nome de um amor maior, o fraternal.
A poça branca no fim se tornou inevitavelmente mancha, ficou lá para lembrar do erro. A lágrima realmente não serviu para lavar bulhufas, e as borboletas não puderam voltar o tempo. Mais branco do que leite derramado é um sorriso sincero, que constrói com dentes de tijolo alvo estradas mais longas do que o alcance de qualquer maré láctea de desastre.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sabor.

Tratou com desdém e falso desprezo o calor selvagem do amor sem barreiras, aquele descompromissado e sem maiores explicações. Amor sim, se já havia sido antes então não poderia mais deixar de ser, pelo menos de acordo com sua vã filosofia de boteco.
O tal do sentimento transformou-se em alguma coisa inominável, não havia amizade ou fraternidade, só o carinho da lembrança, que não era suficiente para instigar conversas maiores do que as baseadas em alfinetes e provocações.
As memórias que restaram do passado recente foram predominantemente carnais e desprovidas de sensibilidade. Talvez a natureza da relação anterior não fosse das mais saudáveis afinal. Tudo não passou de um flash rápido e desavergonhado, claro como a luz fervilhante do meio-dia, que mostrava sem dó nem piedade cada traço marcado, manchado, arranhado, mordido... era sempre sobre o corpo e o que se podia aproveitar dele, e isso nunca seria o suficiente.
Seu corpo era recipiente, mais meio vazio do que meio cheio e um brinde aos pessimistas. Precisava completar-se com mais do que sangue e suor, já que a vulgaridade, apesar de ser um de seus talentos natos, não era o campeão dentre suas predileções. Gostava do amor romântico e patético, do platônico e desesperado... amava amar.
Enganou-se desde o inicio, provavelmente sabendo do erro que estava cometendo. Estava se enganando de forma lúcida, dentre os enganos o mais perigoso.
As apostas sempre foram de tiros no escuro, baseadas única e exclusivamente no fervor dos primeiros olhares. Um grande erro para um devoto e declarado fã de olhos bonitos, fossem da cor ou formato que fossem, e esse erro lhe custou e voltaria a lhe custar várias noites em claro, várias delas.
Toda fruta mordida a partir de então acabaria tornando em nostalgia o suco natural, inundando o paladar com o sabor doce e indescritível da mulher, fruta por excelência. Toda brisa e garoa a partir de então se tornaria em lembrança de como é a mulher, que como o tempo é sempre imprevisível e difícil de lidar... nunca se está preparado o bastante. Toda embriaguez a partir de então seria memorável pela dor de consciência póstuma, como as dores de cabeça que vem junto com a ideia de compromisso, lindo no começo, bonito no meio, horrível no final.

Relógiando e Rápido.

O relógio segue, inimigo dos afazeres e lazeres, relativo como tudo que diz respeito ao tempo: Lento para os que só querem chegar ao conforto de suas casas, rápido para os que tem compromissos. É uma pedra no sapato do cotidiano, mais um sapo pra engolir em uma dieta já baseada quase que exclusivamente de anfíbios. Faça render suas míseras vinte e quatro horas ou morra tentando.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Melancolia D'ela, Resquícios de Sujeira

Deitou a cabeça no primeiro ombro que achou vago, os olhos deitaram lágrimas também e transformaram o mesmo ombro em  um bom tanto de tecido molhado. A camiseta se arruinou em água salgada, como que para combinar com o coração em ruínas. Era um alguém qualquer, servindo de poste para apoio, todos precisam de apoio afinal de contas, principalmente depois da primeira derrota. Recompensaria o infeliz com palavras vazias do tipo ''não sei o que eu faria sem você'' ou coisa do gênero - era mentira pura, simplesmente acharia outro ombro qualquer se não o achasse antes.
A melancolia veio bem a calhar nos momentos de embriaguez que se seguiram, e embriaguez que se preze trouxe consigo a inconveniência. A humilhação autoimposta veio em fases: Primeiro o ataque nervoso, depois a ilusão do contentamento e por fim a depressão pós mágica. A nova felicidade viria logo em seguida, pelo menos é o que estava no contrato. O mundo parou o giro nos três quartos finais do final feliz, ela não era capaz de lidar com isso.

Parecia quase combinado, o tempo vagarosamente se espreguiçou enquanto tudo acontecia.

Sofreu em silêncio inverso, gritando ao mundo falsa felicidade e contentamento. Ela não estava acostumada a perder e até então o mundo era seu quintal. Até onde a vista alcançasse tudo era flor e beleza nos campos injustos da vida sentimental e amorosa, que se mostrou traiçoeira e cheia de má fé. Tentou incessantemente culpar o pobre miserável, procurou enxergar trevas onde não existia escuro além de tons grafite... quase chegou a acreditar numa verdade alternativa e confortável, mas seu discernimento era maior que isso, o que piorava a melancolia.

''Como pôde acontecer? A entrega foi completa! Me expus, me doei... inteira.''

Ela não entendeu que ele fez o melhor que pôde. Ele lamentava os machucados que havia causado, e como lamentava.

''Desde quando lamentação cura ferida?''

Sentia o peso da responsabilidade, toda a instabilidade dela era sua culpa e ele sabia. Sabia também que não ajudaria em nada se manter bonito e presente, a solidariedade seria venenosa, então preferiu se ausentar em blocos de gelo. Se disfarçou de esquimó e foi frio o quanto conseguiu: ''melhor que me odeie do que me ame sofrendo''. - Não parecia certo, mas a relatividade da resposta era ensurdecedora, a pergunta era vaga demais! Gritava alto, principalmente devido ao fato de que o que à feriu foi a verdade pura, e não existe justiça maior do que isso.

A verdade é que nunca houve mentira, e quando o que deveria ser ''para sempre'' se tornou um ponto final, tudo ficou feio e putrefaço.

Ela viveu então o resto de seus dias, ele viveu os dele. Não houveram mais sorrisos trocados entre ambos, os olhares foram para sempre resumidos a espiadelas. Ela voltou a ser feliz, ele continuou tentando achar seu caminho, não sei se consegui.

Suja.

''Comigo você pode ser suja, verdadeira, intensa...'' - respondeu mentalmente. A indagação havia sido feita em palavras escritas, nada mais justo do que responder em palavras imaginárias.

Entorna toda a perversão acumulada em seu corpo e me faz alvo
Me molha de suor e me arranca sangue na unha, me encharca no dilúvio do orgasmo
Deixa o ambiente com cheiro de paixão consumada, sem vergonhas ou pudores
Vem para o meu leito e encarne mais um dos meus mil amores
Entre os cúmplices para o crime do pecado carnal, estarão além de nós, mais quatro paredes brancas e curiosas
Quatro mudos fetichistas, escravos do voyeurismo, observadores complacentes
Luz acesa, olhos nos olhos, olhos também  no resto que não enxerga, por que não?
Quente.. fervendo em pressão, deixando brancas as pontas dos dedos... é o toque.
Gosto de quero mais, o não querendo ser sim da forma mais descarada possível
A cama não se contentou em ficar bagunçada sozinha, o quarto virou história
Vítima de uma guerra passional, onde o bom samaritanismo lutou feroz contra a ideia do usar e abusar
Conscientemente aconteceu um apocalipse físico, deleite total
Mas no resumo da história aconteceu diferente e o lema acabou sendo:

 ''me ensina a solidão de ser só dois''

No fim foi só isso, que apesar de muito, não foi dos mais maiores
O coração que geralmente é ator principal resolveu ser coadjuvante, não quis se envolver e resolveu ir tomar um sorvete na padaria... o sabor ninguém nunca soube.

sábado, 17 de agosto de 2013

O Silêncio

O silêncio andava depressivo, e pedia em voz muda para que lhe concedecem alguma atenção. Ao menos alguns momentos, mesmo que fossem poucos. No meio da harmonia caótica comum dos barulhos corriqueiros do mundo, os mesmos que se unem em prol da perturbação e enlouquecimento, o silêncio era negligenciado.

Por mais que agitasse seus braços transparentes, por mais que protestasse em revolta completa, armasse placas e cartazes ou letreiros neon... sempre passava desapercebido.
Enquanto acontecia um terrorismo sonoro e a cacofonia se tornava trilha habitual, enquanto rolava a fusão acidental de todas as menores e maiores frequências e ondas, o silêncio chorava em prantos. Ele foi criado em teoria, mas não passou disso, e viveu durante muito tempo como um fantasma em busca de vida corpórea.

Ao calar da noite, que só cala os mais barulhentos, o silêncio vagou de cabeça baixa. Nas bocas fechadas, as mesmas que não permitem a entrada de moscas, o silêncio descansou de olhos abertos. Em linhas vazias de partituras em potencial, no botão Mute do controle remoto, na opção vibrar do celular, na intenção do discurso apelante do vizinho velho e ranzinza, na vida dos surdos por deficiência ou acidente, no dedo indicador frente ao nariz, na onomatopéia ''shhhh'', em todo canto ele procurou ser notado, mas continuou sendo ignorado.

Um dia o silêncio adotou para si o rótulo da impossibilidade, e fez com que o mundo o enxergasse como lenda. O desafio de invoca-lo fez-se então existente, tornando o título de Mito do Silêncio uma fábula das mais fantásticas. A responsabilidade mítica e folclórica era agora uma verdade, e muito mais confortável com sua posição hierárquica, o silêncio teve a contentação que tanto almejou.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Azul

Cor de blues, meio pentatônico no olhar
Jeitinho anil, meio tímido, meio frio
Agasalha no sorriso, que esquenta mas nem tanto
Um jeito engraçado de pronunciar, destaques de entonação

''Leite quente que dói os dente''

Peculiar, curioso, observador, exótico
Chama mais atenção do que gostaria?
Interessante, talvez até demais.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A Balaclave

E a minha balaclava de tanta melodia e som bonito que escutou, acabou que se tornou balaclave, indecisa porém sobre a nota que iria sustentar. Talvez sol, talvez dó, talvez fá... não importa. Continuará sendo máscara ou mesmo capacete, tomando para si as pancadas rotineiras e doloridas, sendo escudo por falta de lança ou espada.
 
Proteção por notas jogadas e compassos mal formados, tempos quebrados, como todo relógio que se digna a bater alarme na hora simbólica de sempre. Barreira melódica, meio melodramática quando se arrisca pelas terras da literatura, meio melancólica ao se enquadrar tão bem nas dores da defesa. É tanto melô que acaba melando toda a ideia dura e tensa que existe acerca da linha de frente, tornando-a então grudenta e pouco usual. Imputaqueoparívelmente cai por terra toda a famigerada proteção balaclávica, e se me permite dizer: que os escudos vão para os quintos dos infernos!
Sem escudos e maiores defesas a balaclave entrou em greve e se recusou a melodiar. Sua inspiração até então foram as pancadas que recebeu na vida, Musas ingratas. Ao invés de soprar cantorias preferiu cuspir gritos e desordenações caóticas, ensurdecendo o mundo com desarmonia e desafinação, em escalas dissonantes até para a música mais atonal e experimental possível.

_Meu Deus, parem com a cacofonia! - exclamou o Querubim, que era criança ou anjo, ninguém sabia dizer com certeza absoluta. - por falta de motivos para cantar, te presenteio com o dom da tristeza por pesar, e mesmo quando só tiveres motivos para rir, mesmo nos momentos mais contentes e felizes, ainda assim vais pensar nos males alheios e irá toma-los para si. O Conforto não fará mais parte de sua vida, sem chances. Toda e qualquer chance de sorriso virá carregada num fardo imenso de agonia. Sentirá a dor aguda de cada coração de cada pessoa que lhe pousar os olhos. Fará de qualquer sentimento, seu ou não seu, seja ruim ou seja bom.. qualquer alarde que vier de qualquer peito, tudo será música para seu diafragma e sua cabeça. Assim como tudo será música para meus ouvidos, consequentemente para todos os outros ouvidos, bem treinados ou não, tudo será motivo para que sua voz saia afinada, cheia de vontade e inspiração. Essa é sua maldição ou sua bênção, a única certeza é que o fato se categoriza como sina, e tudo só depende de você e da bendita relatividade do seu SER.

Encarei da forma que pude, acho que não tive escolha, ou melhor, não tenho. Tomei para mim o trovadorismo e passei a transformar o 'pensar' num 'cantar', mesmo que meio sem jeito. Vomitei ideias de todos os tipos, timbrando palavras em cantigas sem pé nem cabeça, soltei o ar e assobiei afinado demais, mas acho que não tive escolha, ou melhor, não tenho.
Eis que me mandam por psicografia uma ou outra mensagem desconfortável, ás vezes até músicas inteiras, textos e fragmentos, tais como:

''Apolo veio acompanhando um Dionísio embriagado, rumavam à Terra, juntos e enamorados em paixão sórdida e fugaz. Deram de presente ao mundo o primeiro fruto de união homo-erótica, existiu então a Boêmia, que fez da felicidade popular sua maior missão, e para isso desmembrou-se em pontos de luz sobre pessoas distintas, que não teriam direito a momentos de paz. Os artistas então se tornaram uma classe em ascensão, fazendo de sua dor um orgasmo para o bom entendedor. ''

Falar em tom narcisista já se torna impossível, por mais íntima que seja a mensagem. As pessoas vão se enxergando no meio de interpretações pessoais, descabidas ou não, continuam a se procurar em cada linha escrita. As palavras ludibriam o ego sem vergonha de cada um que queira prestar atenção no que lê, escuta ou admira.

A Balaclave está de volta ao seu devido lugar, tomando pancada atrás de pancada, tornando o baque em canção. Máscara de chumbo, cabeça de telhado... no fim é tudo a mesma coisa.


sábado, 10 de agosto de 2013

Sobre as Flores e os Dentes

Pra recolher um botão de sorriso do seu rosto de jardim
Eu que sou jardineiro de dentes e tártaro
Vou regar a sua vida de alegrias e belezas
Adubar a sua cabeça de certezas
Só pra ver florescer sua coleção de ossos expostos
O seu jardim vai crescer
E o seu futuro vai ser só girassol
Perfumando o mundo com fragrância iluminada
Amarelo de ouro, cheio de esplendor
Afastando e lutando contra toda dor
Mordiscando a vida saborosa 
Tornando todo amor em prosa
Explodindo em aroma conciliante
Todo homem que vivia em choro constante
Observando espalhar
Sentindo polinizar
Espalhando a beleza e a fartura da mesa
Embriagando e molhando o rapaz descontente
Tornando a moça em mulher
Sorvendo seu hálito quente
Semeando gentileza, bondade e afeto
Pro rico, pro pobre e até pro sem teto
O aroma não muda, é a pele quem dita
Se o cheiro é bom, se a fragrância é rica
Ao colher seu sorriso repleto de dentes
Ofereço ao mundo meu pequeno buquê
Compartilho, portanto redobro e espalho
Alegria, melodia e resposta aos porquês.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Tempo

O relógio correu como havia prometido, e seus ponteiros afiados cortaram nossas possibilidades sem misericórdia. Deixamos as marcações passarem desapercebidas, flertando com os dias, fingindo que eram apenas alguns minutos, jogando o tempo pela janela. Fizemos pouco do pouco tempo, sem questionar o pouco tempo que tivemos antes disso.

Corremos desesperados das possibilidades

Morremos na praia antes de entrar no mar

Pensamos demais, agimos de menos

Será que o tempo vai continuar firme assim?

Não volta, mas por desencargo de consciência eu peço:

_ Volte!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Erros/Acertos

Embranqueço suas madeixas com minhas loucuras
Loucuras inevitáveis para mim, mechas brancas inevitáveis para você
Sou errado, inteiro ou quase
Você também é
Juntos somos certos
Ou pelo menos mais certos do que separados, é o que importa
Em nossos erros acertamos juntos

Não existiria eu sem existir você
E por um erro tático do destino eu posso SER
Erro que talvez seja mais acerto do que qualquer acerto proposital

Hoje eu sei que para você, não existe pensar na possibilidade de que poderia não ter errado
Inaceitável, impensável, indizível  
Poderia ter sido diferente, talvez melhor, talvez pior
Mas foi como foi para que fôssemos

Somos juntos, não poderíamos ser separados
Se não fôssemos juntos então não seriamos
Sou o erro inicial e que mudou de título
Você, para mim é o acerto desde que errou
Que vai continuar errando para acertar
Que vou continuar errando para acertar

Mesmo acertando sei que vou continuar arrecadando mais fios para a sua Alvidez 
Orgulhoso do fato de que fui pelo foi
Feliz não pelo fato de Ser, mas sim pelo fato de SERMOS

Hoje sou acerto, ou quero ser
Só pra que se orgulhe do seu ''erro''
Mas sei que se eu continuar errando, ainda assim serei motivo de orgulho
Obrigado por ter errado, eu te amo.