A velha senhora cega estava impaciente com a falta de sono de seus netos, resolveu contar-lhes uma história que pudesse acalmar seus ânimos. Eles pediram para que ela contasse sobre sua cegueira, sempre foram curiosos a esse respeito:
''A pequena Luz tinha agora sete anos e desde que se recordava era cega como um morcego. Parecia maldade seu nome de batismo, talvez uma piada de muito mau gosto, mas os pais só descobriram sua cegueira dias depois de seu nascimento. A visão em si nunca lhe fez falta, mas toda sua família ajoelhava em preces todos os dias para que seus pequenos olhos funcionassem normalmente.
A pequena garota era amada demais por todos que a conheciam, tinha sempre um sorriso no rosto redondo e palavras doces para quem tivesse ouvidos. Era bonita como uma boneca de porcelana e delicada como uma flor, além de ser muitíssimo inteligente para sua idade.
Ela vivia em um lugarejo afastado da urbanização, tudo ao seu redor tinha cheiro de natureza e gosto de natural. Mesmo sem poder enxergar, Luz gostava de passear ao ar livre durante as tardes. Como não estudava no colégio, por falta de estrutura do mesmo, pedia para que a mãe lesse todo material disponível na biblioteca que fosse possível. Era uma menina interessada por tudo, a curiosidade era sua maior característica, e sua maior paixão era a música.
Num dia de cantoria descompromissada, fez com que a melodia doce de sua voz se espalhasse pelos quatro cantos do mundo. Não era volume, mas a pureza que contaminava todo o ar de toda a terra. Impressionantemente sua voz chegou a lugares mais altos do que castelos e mais longínquos do que a China, foi escutada por quem precisava ouvir.
Um dia apareceu um velho corcunda na cidade, fora guiado pela cantoria. Ele tinha um ar sábio apesar de uma aparência maltrapilha. Como a casa da menina era a primeira vista do lugar, logo na entrada da cidade, foi lá que ele bateu.
Foi muito bem recebido pela família, eles eram humildes e não tinham muito dinheiro, mas hospitaleiros com certeza seriam sempre, lema da casa. Serviram-lhe sopa, prepararam-lhe um banho quente e lhe deram roupas novas de presente, ''um andarilho esfarrapado não seria bem recebido na cidade'' eles disseram para o homem.
Comovido com a recepção calorosa dos desconhecidos, o homem corcunda resolveu lhes conceder um desejo, apesar de não pronunciar o milagre. Eles nem mesmo haviam lhe contado sobre a filha cega, que no momento estava colhendo frutas com os irmãos, mas o homem era maior do que as palavras e conseguiu ler seus corações. Viu que apesar da vida simples e feliz que tinham, também carregavam a tristeza como inquilina permanente da casa.
Feiticeiro que era, em silêncio e de olhos fechados enxergou a menina iluminada. Num piscar de olhos fez com que ela pudesse ver com mais clareza do que todos os outros. No momento seguinte, já de estômago cheio e roupas novas ele se despediu e seguiu seu caminho. Não queria glorificação, apenas fez o que tinha de fazer, estava ali para isso afinal.
Do outro lado da cidade, a menina tomou um susto com toda a luz que surgiu de repente e caiu no chão, ralando todo o joelho. Foi inundada de cor e informação visual, não sabia definir o que era o quê e isso lhe deixou atordoada demais. Desmaiou, e então foi carregada para casa pelos irmãos assustados...''
_ Certo vovó, mas se você foi curada... não sei se entendi. Você ainda é cega! - exclamou o mais velho.
_ Bem, você não me deixou terminar. - disse a velha paciente.
_ Mas eu quero saber o final logo! - respondeu o garoto.
_ Bem.. acho que seus irmãos dormiram. Posso te adiantar a história, mas depois você vai dormir, certo? - a velha Luz ainda era perspicaz. Sua audição era maravilhosa, permitira-lhe escutar os roncos baixos dos outros dois meninos.
_ Tudo bem, mas me diga logo, poxa vida. - o menino estava impaciente.
_ Pois bem então.. - e a velha contou o que tinha acontecido.
Horas depois, já passando da meia-noite, o menino ainda estava acordado. Ele rezava assustado, não queria dormir para não correr o perigo de sonhar com o velho feiticeiro corcunda. Devia saber que sua avó de mau humor não seria uma boa contadora de histórias bonitas, ainda mais se tratando da senhora mais amargurada e ranzinza de toda a cidadezinha. Passou a vida toda depois desse dia se lembrando das últimas frases que a avó disse antes de sair do quarto arrastando os pés:
'' O mundo é lindo quando você não precisa saber de sua feiura. Preferi o escuro confortável depois de passar anos vendo quão macabras as coisas eram. Botei meus olhos para namorarem com um punhal, já havia visto o suficiente.''
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Atchim...
Não me venha com votos de saúde, não agora
Espirro palavras, escarro frases, vomito angústias
Gosto de aproveitar a doença das letras
Por para fora as ideias e conflitos que engasguem
Não morro sufocado por palavras
Aprendi a burlar a lei do silêncio
Definitivamente não morro sufocado por ideias
Questão de honra, ou não me chamo Valentim
Se não disse todas elas, pelo menos escrevi boa parte
Se não escrevi e nem falei, pelo menos cantei
Se nem ao menos cantei, então pensei
Se pensei, sei que disse para mim mesmo
Palavras e mais palavras
Quantas letras, quantos sentimentos
Quantas histórias, quantos momentos
A culpa fica pra escanteio, agradei a quem queria
O melhor público do mundo
Um por todos e eu por mim
Só.
Espirro palavras, escarro frases, vomito angústias
Gosto de aproveitar a doença das letras
Por para fora as ideias e conflitos que engasguem
Não morro sufocado por palavras
Aprendi a burlar a lei do silêncio
Definitivamente não morro sufocado por ideias
Questão de honra, ou não me chamo Valentim
Se não disse todas elas, pelo menos escrevi boa parte
Se não escrevi e nem falei, pelo menos cantei
Se nem ao menos cantei, então pensei
Se pensei, sei que disse para mim mesmo
Palavras e mais palavras
Quantas letras, quantos sentimentos
Quantas histórias, quantos momentos
A culpa fica pra escanteio, agradei a quem queria
O melhor público do mundo
Um por todos e eu por mim
Só.
O Vestido e a Lama
Vestido longo, se arrastando pela avenida molhada de chuva e suja de terra.
A lama estuprou violentamente a pureza branca do traje matrimonial, que dó. Aquele vestido havia sido escolhido a dedo e agora estava arruinado. Pedaços de pano estavam espalhados pelo chão imundo, afinal, depois de sujo e maltrapilho por escolha consciente, a noiva resolveu fazer picote de seus sonhos e planos, rasgando o vestido em pedaços, toda a extensão da calda até a altura dos joelhos.
Os olhos se mantiveram imaculados na doçura, em expressão se mantinham firmes, já em estética estavam péssimos: Todo aquele caminhão de maquiagem havia borrado com as gotas gorduchas da chuva, o resultado era visivelmente catastrófico. O sorriso, como a expressão do olhar, se manteve o mesmo desde o altar até o momento desesperador da rasgação, terno e confortável à vista. Os cabelos embaraçados e cheios de arroz recém jogado, sua cabeça era uma plantação de cereais e ideias perturbadoras.
Engraçado como dependendo da situação a mesma expressão facial pode indicar normalidade ou psicopatia.
Junto aos restos sujismundos de vestido espalhados pelo chão, estavam os vários nomes de amigas solteiras, fadadas agora ao fracasso lamacento emocional. Todas as que apostaram sorrisos e votos de boa sorte agora estavam envoltas da energia negra da desistência. Nenhuma tinha culpa, e na verdade poucas delas saberiam do ocorrido. Era uma questão intima, mas todas estavam ali, jogadas na lama e de conchinha com os sonhos desfalecidos.
Sonhos encharcados e sujos de terra.
A noiva era uma figurante bizarra na cena. O foco estava para os finalmentes, dando pouca ou nenhuma importância aos motivos. Era uma mulher na flor da idade, sendo regada pela tristeza apócrifa da incerteza, abandonando as vigas de sustentação da própria existência, entrando de cabeça na maiêutica socrática, procurando sua liberdade na raiz do questionamento, buscando redenção e principalmente limpeza na tempestade mais próxima, que afinal sempre serviu para lavar a alma.
Prefiro ser viúva de um sonho do que noiva de um aprisionamento. Não tiro o mérito da conquista de meu amado mal amado, mas me faltaria liberdade para sorrir flertando em direção aos outros rapazes, ou para me engalfinhar em amassos maliciosos com outros ''eles ou elas'', ou ambos juntos, três, quatro, dez... quem liga? Fato é que não estou pronta para ''sermos'' quando ainda nem ''sou'' direito.
Lembrou do amor passado, o carinho encheu o peito, que esvaziou mais rápido ainda. Acordou no momento seguinte, transpirava e respirava pesado. Suas mandíbulas estavam contraídas e doloridas demais, o pesadelo havia causado isso. Pânico ao pensar na possibilidade belíssima de estar livre da obrigação, ter que escolher uma boa resposta entre ''sim'' , ''com certeza'' e ''sem dúvidas''.
Seu corpo escultural ainda estava amarronzado da lama. O inconsciente havia sido confortável durante as horas de desmaio, será que aceitariam uma inquilina irrequieta de volta?
''Adeus mundo cruel'' - ela disse então, e saiu marchando, avassalando a vida, atropelando os padrões, arrombando os portões, tratando com crueldade a vida que até então fora cruel, simplesmente por ter sido comum.
A lama estuprou violentamente a pureza branca do traje matrimonial, que dó. Aquele vestido havia sido escolhido a dedo e agora estava arruinado. Pedaços de pano estavam espalhados pelo chão imundo, afinal, depois de sujo e maltrapilho por escolha consciente, a noiva resolveu fazer picote de seus sonhos e planos, rasgando o vestido em pedaços, toda a extensão da calda até a altura dos joelhos.
Os olhos se mantiveram imaculados na doçura, em expressão se mantinham firmes, já em estética estavam péssimos: Todo aquele caminhão de maquiagem havia borrado com as gotas gorduchas da chuva, o resultado era visivelmente catastrófico. O sorriso, como a expressão do olhar, se manteve o mesmo desde o altar até o momento desesperador da rasgação, terno e confortável à vista. Os cabelos embaraçados e cheios de arroz recém jogado, sua cabeça era uma plantação de cereais e ideias perturbadoras.
Engraçado como dependendo da situação a mesma expressão facial pode indicar normalidade ou psicopatia.
Junto aos restos sujismundos de vestido espalhados pelo chão, estavam os vários nomes de amigas solteiras, fadadas agora ao fracasso lamacento emocional. Todas as que apostaram sorrisos e votos de boa sorte agora estavam envoltas da energia negra da desistência. Nenhuma tinha culpa, e na verdade poucas delas saberiam do ocorrido. Era uma questão intima, mas todas estavam ali, jogadas na lama e de conchinha com os sonhos desfalecidos.
Sonhos encharcados e sujos de terra.
A noiva era uma figurante bizarra na cena. O foco estava para os finalmentes, dando pouca ou nenhuma importância aos motivos. Era uma mulher na flor da idade, sendo regada pela tristeza apócrifa da incerteza, abandonando as vigas de sustentação da própria existência, entrando de cabeça na maiêutica socrática, procurando sua liberdade na raiz do questionamento, buscando redenção e principalmente limpeza na tempestade mais próxima, que afinal sempre serviu para lavar a alma.
Prefiro ser viúva de um sonho do que noiva de um aprisionamento. Não tiro o mérito da conquista de meu amado mal amado, mas me faltaria liberdade para sorrir flertando em direção aos outros rapazes, ou para me engalfinhar em amassos maliciosos com outros ''eles ou elas'', ou ambos juntos, três, quatro, dez... quem liga? Fato é que não estou pronta para ''sermos'' quando ainda nem ''sou'' direito.
Lembrou do amor passado, o carinho encheu o peito, que esvaziou mais rápido ainda. Acordou no momento seguinte, transpirava e respirava pesado. Suas mandíbulas estavam contraídas e doloridas demais, o pesadelo havia causado isso. Pânico ao pensar na possibilidade belíssima de estar livre da obrigação, ter que escolher uma boa resposta entre ''sim'' , ''com certeza'' e ''sem dúvidas''.
Seu corpo escultural ainda estava amarronzado da lama. O inconsciente havia sido confortável durante as horas de desmaio, será que aceitariam uma inquilina irrequieta de volta?
''Adeus mundo cruel'' - ela disse então, e saiu marchando, avassalando a vida, atropelando os padrões, arrombando os portões, tratando com crueldade a vida que até então fora cruel, simplesmente por ter sido comum.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Acho que...
PÔ, não acho nada.
Eu já ia ''achar'' alguma coisa, mas resolvi não ''achar'' coisa alguma. No mundo já tem tanto ''achista'' que o tal ''achismo'' já está ficando chato, repetitivo, enfadonho... Mesmo quem ''acha'' baseado em outros ''achares'', por mais embasados que sejam, ainda acaba sendo só mais um saco cheio de ''achismos''.
Acho que...
Particularmente ''acho'' que ''achar'' já está se tornando (faz bastante tempo) uma grande e tediosa palhaçada.
Palhaços, circo, parece bom.
Não por ser engraçado e divertido, mas por ser vulgar e colorido demais.
Poxa, que saco.
Muita cor nas bochechas ''achistas'', inflamadas de afirmação ''achadamente'' contundente. Muita vulgaridade nos ''achares'' espalhafatosos, dos que ''acham'' que sabem demais por terem lido ou visto mais ou menos filmes ou livros.
Mas eu não acho, tenho certeza!
A ''certeza'' que anda numa crise existencial horrenda, está realmente chateada.
Ops..
Crise essa pelo fato do título ''certeza'' ser só uma ridícula promoção do famoso ''acho'' para um concretismo da famigerada cabeçadurísse, o que convenhamos, não é lá uma das melhores formas de existir.
É, de fato...
Já a ''dúvida'' anda em alta, cúmplice e fiel escudeira do ''achar'', está sempre pairando nas cabeças por aí, inclusive na minha.
E a convicção, a quantas anda?
Vai de mal a pior, afundando num bote furado num mar de incertezas e ''achismos'' vazios.
Você está realmente acabado, cara.
Eu sei.
Eu já ia ''achar'' alguma coisa, mas resolvi não ''achar'' coisa alguma. No mundo já tem tanto ''achista'' que o tal ''achismo'' já está ficando chato, repetitivo, enfadonho... Mesmo quem ''acha'' baseado em outros ''achares'', por mais embasados que sejam, ainda acaba sendo só mais um saco cheio de ''achismos''.
Acho que...
Particularmente ''acho'' que ''achar'' já está se tornando (faz bastante tempo) uma grande e tediosa palhaçada.
Palhaços, circo, parece bom.
Não por ser engraçado e divertido, mas por ser vulgar e colorido demais.
Poxa, que saco.
Muita cor nas bochechas ''achistas'', inflamadas de afirmação ''achadamente'' contundente. Muita vulgaridade nos ''achares'' espalhafatosos, dos que ''acham'' que sabem demais por terem lido ou visto mais ou menos filmes ou livros.
Mas eu não acho, tenho certeza!
A ''certeza'' que anda numa crise existencial horrenda, está realmente chateada.
Ops..
Crise essa pelo fato do título ''certeza'' ser só uma ridícula promoção do famoso ''acho'' para um concretismo da famigerada cabeçadurísse, o que convenhamos, não é lá uma das melhores formas de existir.
É, de fato...
Já a ''dúvida'' anda em alta, cúmplice e fiel escudeira do ''achar'', está sempre pairando nas cabeças por aí, inclusive na minha.
E a convicção, a quantas anda?
Vai de mal a pior, afundando num bote furado num mar de incertezas e ''achismos'' vazios.
Você está realmente acabado, cara.
Eu sei.
Previsibilidade Dual
Gritei tão alto que os olhos saíram das órbitas por meio instante, quase ninguém escutou. Não foi com a garganta que berrei, mas sim com o pensamento, isso justifica a falta de público. Brado interminável e furioso, com direito a eco subconsciente, fazendo vibrar os portões energéticos e os pontos acupunturistas.
Foi do fundo do peito, afiado por pedaços pontiagudos e angulosos de um coração quebrado, lixados no bom e velho 'pedra contra pedra'.
Tudo em volta até então era ensurdecedor, e eu precisava que o mundo se calasse pelo menos por alguns minutos. Então gritei sem dó, para rebater os outros vários barulhos infernais que insistiam em não calar por vontade própria. Alguém precisava botar ordem no galinheiro emocional, certo?
Não foi educado e pomposo como de costume. Notei que o resto se assustou, e isso me deixou contente de certa forma. O vermelho e o branco, vulgo resto, ficaram mudos e perplexos, boquiabridos com tal ato de revolta. Afinal de contas, eu havia passado a vida toda dando ouvidos para um ou para outro, ninguém esperava um surto no meio do caminho, nem eu e nem eles.
O ''sim'' e o ''não'' sempre foram as opções cabíveis e viáveis, sem direito nenhum a qualquer tipo de meio termo, eu estava cansado disso. Chifres ou auréolas, asas brancas ou pretas, yin ou yang, DC ou Marvel, Playstation ou Nintendo, céu ou inferno... haja saco.
O limbo parecia libertador de uma maneira bizarra, purgatório por excelência ou por falta de vontade em seguir um caminho tão pragmaticamente programado. Toda dualidade do mundo se tornou maçante pela falta de opção. Sendo mais coerente na afirmativa, retifico: Milhões de caminhos, mas finais reduzidos ao dual.
Qual o problema afinal em ser por ser, sem se preocupar com o enquadramento? Onde fica a beleza do talvez? Não saber com certeza absoluta é crime? Pecado?
O espírito clama por liberdade, que só é livre até a página dois. Complicado sim, por ''A'' mais ''B'', e nem cogite outra letra qualquer do alfabeto, a menos que tenha um par oposto pra oferecer. O refrão repete, pra não ficar só na primeira vez, e que se mantenha em números divisíveis por dois. Pule sete ondas no ano novo para se rebelar contra a inocência cristã do seis ou do oito. Seja reto nos caminhos ou ande torto até o tormento.
O mundo pede em suas preces por mais reticências e vírgulas! O caminho fica realmente entediante quando é corrido e sem pontuação, mas principalmente quando é previsível. O plural é idealizado como perfeito, por isso o singular está sempre em depressão. A arte está na tristeza de ser só, por mais rondado de gente que se esteja. Bonito mesmo é ser sozinho e tristonho. Por isso torço pelos artistas, e principalmente torço mesquinhamente para que eu mesmo não acabe me estereotipando na categoria.
Melhor burro acompanhado do que inteligente solitário.
Foi do fundo do peito, afiado por pedaços pontiagudos e angulosos de um coração quebrado, lixados no bom e velho 'pedra contra pedra'.
Tudo em volta até então era ensurdecedor, e eu precisava que o mundo se calasse pelo menos por alguns minutos. Então gritei sem dó, para rebater os outros vários barulhos infernais que insistiam em não calar por vontade própria. Alguém precisava botar ordem no galinheiro emocional, certo?
Não foi educado e pomposo como de costume. Notei que o resto se assustou, e isso me deixou contente de certa forma. O vermelho e o branco, vulgo resto, ficaram mudos e perplexos, boquiabridos com tal ato de revolta. Afinal de contas, eu havia passado a vida toda dando ouvidos para um ou para outro, ninguém esperava um surto no meio do caminho, nem eu e nem eles.
O ''sim'' e o ''não'' sempre foram as opções cabíveis e viáveis, sem direito nenhum a qualquer tipo de meio termo, eu estava cansado disso. Chifres ou auréolas, asas brancas ou pretas, yin ou yang, DC ou Marvel, Playstation ou Nintendo, céu ou inferno... haja saco.
O limbo parecia libertador de uma maneira bizarra, purgatório por excelência ou por falta de vontade em seguir um caminho tão pragmaticamente programado. Toda dualidade do mundo se tornou maçante pela falta de opção. Sendo mais coerente na afirmativa, retifico: Milhões de caminhos, mas finais reduzidos ao dual.
Qual o problema afinal em ser por ser, sem se preocupar com o enquadramento? Onde fica a beleza do talvez? Não saber com certeza absoluta é crime? Pecado?
O espírito clama por liberdade, que só é livre até a página dois. Complicado sim, por ''A'' mais ''B'', e nem cogite outra letra qualquer do alfabeto, a menos que tenha um par oposto pra oferecer. O refrão repete, pra não ficar só na primeira vez, e que se mantenha em números divisíveis por dois. Pule sete ondas no ano novo para se rebelar contra a inocência cristã do seis ou do oito. Seja reto nos caminhos ou ande torto até o tormento.
O mundo pede em suas preces por mais reticências e vírgulas! O caminho fica realmente entediante quando é corrido e sem pontuação, mas principalmente quando é previsível. O plural é idealizado como perfeito, por isso o singular está sempre em depressão. A arte está na tristeza de ser só, por mais rondado de gente que se esteja. Bonito mesmo é ser sozinho e tristonho. Por isso torço pelos artistas, e principalmente torço mesquinhamente para que eu mesmo não acabe me estereotipando na categoria.
Melhor burro acompanhado do que inteligente solitário.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Leite Derramado
E o leite derramado já está quase coalhando. Criou uma poça gigantesca de sujeira láctea, que manchou uma vida inteira, e nem todos os litros d'água salgada que os olhos produziram foram suficientes para lavar tudo. Leite denso, espesso e branco, que embranquece toda história e apaga toda boa memória.
Depois do leite veio o resto: a vida foi passando devagar, em marcha realmente lenta. O leite foi ficando cada vez menos fresco na memória e a vida foi seguindo seu rumo despreocupadamente. Seguiu e seguiu, até chegar ao gosto de café, vida adulta. A mancha continuava lá, intacta e intangível, tornando o gole preto num marrom Pingado.
E mesmo que as borboletas tivessem seguido por outros caminhos, a ordem das coisas não poderia ter sido vista por outros ângulos. A teoria do caos se mostrou vigorosa e empapada de litros infindáveis de leite semi-desnatado, botando em ordem todas as coisas de forma desconexa, porém precisa. Não foi preciso engordar sadicamente as partes feias e traumáticas da existência, e por isso digo Amém! Além dos sapatos perigarem rasgar o solado, em caso de demasiada engorda, o leite derramado por si só já fez o serviço de impressionar pela pureza do branco infinito, cor de nada. Então o semi-desnatado serviu bem, inquestionável.
Incapacidade de ver além de dois palmos frente ao nariz, esse ainda é o maior defeito de qualquer ser humano que se preze. Talvez por isso o leite não seja tecnicamente ''limpável'', a cegueira sempre nos impede de enxergar os caminhos para a higiene emocional. A impossibilidade de empatizar com o ser humano que erra, acaba tornando o dedo acusador num juiz irracional, sem mãe, pai ou amor que valha um sorriso no rosto.
Cristificando o homem que sabe perdoar, acabamos esquecendo da capacidade de interpretar também o personagem que com nobreza consegue compreender falhas. O simbolismo da santidade é, acima de tudo, santo por saber perdoar e esquecer. Religiosidades a parte, mesmo um espinho que fosse enterrado com brutalidade na santa testa poderia ser esquecido no momento seguinte, tudo em nome de um amor maior, o fraternal.
A poça branca no fim se tornou inevitavelmente mancha, ficou lá para lembrar do erro. A lágrima realmente não serviu para lavar bulhufas, e as borboletas não puderam voltar o tempo. Mais branco do que leite derramado é um sorriso sincero, que constrói com dentes de tijolo alvo estradas mais longas do que o alcance de qualquer maré láctea de desastre.
Depois do leite veio o resto: a vida foi passando devagar, em marcha realmente lenta. O leite foi ficando cada vez menos fresco na memória e a vida foi seguindo seu rumo despreocupadamente. Seguiu e seguiu, até chegar ao gosto de café, vida adulta. A mancha continuava lá, intacta e intangível, tornando o gole preto num marrom Pingado.
E mesmo que as borboletas tivessem seguido por outros caminhos, a ordem das coisas não poderia ter sido vista por outros ângulos. A teoria do caos se mostrou vigorosa e empapada de litros infindáveis de leite semi-desnatado, botando em ordem todas as coisas de forma desconexa, porém precisa. Não foi preciso engordar sadicamente as partes feias e traumáticas da existência, e por isso digo Amém! Além dos sapatos perigarem rasgar o solado, em caso de demasiada engorda, o leite derramado por si só já fez o serviço de impressionar pela pureza do branco infinito, cor de nada. Então o semi-desnatado serviu bem, inquestionável.
Incapacidade de ver além de dois palmos frente ao nariz, esse ainda é o maior defeito de qualquer ser humano que se preze. Talvez por isso o leite não seja tecnicamente ''limpável'', a cegueira sempre nos impede de enxergar os caminhos para a higiene emocional. A impossibilidade de empatizar com o ser humano que erra, acaba tornando o dedo acusador num juiz irracional, sem mãe, pai ou amor que valha um sorriso no rosto.
Cristificando o homem que sabe perdoar, acabamos esquecendo da capacidade de interpretar também o personagem que com nobreza consegue compreender falhas. O simbolismo da santidade é, acima de tudo, santo por saber perdoar e esquecer. Religiosidades a parte, mesmo um espinho que fosse enterrado com brutalidade na santa testa poderia ser esquecido no momento seguinte, tudo em nome de um amor maior, o fraternal.
A poça branca no fim se tornou inevitavelmente mancha, ficou lá para lembrar do erro. A lágrima realmente não serviu para lavar bulhufas, e as borboletas não puderam voltar o tempo. Mais branco do que leite derramado é um sorriso sincero, que constrói com dentes de tijolo alvo estradas mais longas do que o alcance de qualquer maré láctea de desastre.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Sabor.
Tratou com desdém e falso desprezo o calor selvagem do amor sem barreiras, aquele descompromissado e sem maiores explicações. Amor sim, se já havia sido antes então não poderia mais deixar de ser, pelo menos de acordo com sua vã filosofia de boteco.
O tal do sentimento transformou-se em alguma coisa inominável, não havia amizade ou fraternidade, só o carinho da lembrança, que não era suficiente para instigar conversas maiores do que as baseadas em alfinetes e provocações.
As memórias que restaram do passado recente foram predominantemente carnais e desprovidas de sensibilidade. Talvez a natureza da relação anterior não fosse das mais saudáveis afinal. Tudo não passou de um flash rápido e desavergonhado, claro como a luz fervilhante do meio-dia, que mostrava sem dó nem piedade cada traço marcado, manchado, arranhado, mordido... era sempre sobre o corpo e o que se podia aproveitar dele, e isso nunca seria o suficiente.
Seu corpo era recipiente, mais meio vazio do que meio cheio e um brinde aos pessimistas. Precisava completar-se com mais do que sangue e suor, já que a vulgaridade, apesar de ser um de seus talentos natos, não era o campeão dentre suas predileções. Gostava do amor romântico e patético, do platônico e desesperado... amava amar.
Enganou-se desde o inicio, provavelmente sabendo do erro que estava cometendo. Estava se enganando de forma lúcida, dentre os enganos o mais perigoso.
As apostas sempre foram de tiros no escuro, baseadas única e exclusivamente no fervor dos primeiros olhares. Um grande erro para um devoto e declarado fã de olhos bonitos, fossem da cor ou formato que fossem, e esse erro lhe custou e voltaria a lhe custar várias noites em claro, várias delas.
Toda fruta mordida a partir de então acabaria tornando em nostalgia o suco natural, inundando o paladar com o sabor doce e indescritível da mulher, fruta por excelência. Toda brisa e garoa a partir de então se tornaria em lembrança de como é a mulher, que como o tempo é sempre imprevisível e difícil de lidar... nunca se está preparado o bastante. Toda embriaguez a partir de então seria memorável pela dor de consciência póstuma, como as dores de cabeça que vem junto com a ideia de compromisso, lindo no começo, bonito no meio, horrível no final.
O tal do sentimento transformou-se em alguma coisa inominável, não havia amizade ou fraternidade, só o carinho da lembrança, que não era suficiente para instigar conversas maiores do que as baseadas em alfinetes e provocações.
As memórias que restaram do passado recente foram predominantemente carnais e desprovidas de sensibilidade. Talvez a natureza da relação anterior não fosse das mais saudáveis afinal. Tudo não passou de um flash rápido e desavergonhado, claro como a luz fervilhante do meio-dia, que mostrava sem dó nem piedade cada traço marcado, manchado, arranhado, mordido... era sempre sobre o corpo e o que se podia aproveitar dele, e isso nunca seria o suficiente.
Seu corpo era recipiente, mais meio vazio do que meio cheio e um brinde aos pessimistas. Precisava completar-se com mais do que sangue e suor, já que a vulgaridade, apesar de ser um de seus talentos natos, não era o campeão dentre suas predileções. Gostava do amor romântico e patético, do platônico e desesperado... amava amar.
Enganou-se desde o inicio, provavelmente sabendo do erro que estava cometendo. Estava se enganando de forma lúcida, dentre os enganos o mais perigoso.
As apostas sempre foram de tiros no escuro, baseadas única e exclusivamente no fervor dos primeiros olhares. Um grande erro para um devoto e declarado fã de olhos bonitos, fossem da cor ou formato que fossem, e esse erro lhe custou e voltaria a lhe custar várias noites em claro, várias delas.
Toda fruta mordida a partir de então acabaria tornando em nostalgia o suco natural, inundando o paladar com o sabor doce e indescritível da mulher, fruta por excelência. Toda brisa e garoa a partir de então se tornaria em lembrança de como é a mulher, que como o tempo é sempre imprevisível e difícil de lidar... nunca se está preparado o bastante. Toda embriaguez a partir de então seria memorável pela dor de consciência póstuma, como as dores de cabeça que vem junto com a ideia de compromisso, lindo no começo, bonito no meio, horrível no final.
Relógiando e Rápido.
O relógio segue, inimigo dos afazeres e lazeres, relativo como tudo
que diz respeito ao tempo: Lento para
os que só querem chegar ao conforto de suas casas, rápido para os que
tem
compromissos. É uma pedra no sapato do cotidiano, mais um sapo pra
engolir em uma dieta já baseada quase que exclusivamente de anfíbios.
Faça render suas míseras vinte e quatro horas ou morra tentando.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
A Melancolia D'ela, Resquícios de Sujeira
Deitou a cabeça no primeiro ombro que achou vago, os olhos deitaram lágrimas também e transformaram o mesmo ombro em um bom tanto de tecido molhado. A camiseta se arruinou em água salgada, como que para combinar com o coração em ruínas. Era um alguém qualquer, servindo de poste para apoio, todos precisam de apoio afinal de contas, principalmente depois da primeira derrota. Recompensaria o infeliz com palavras vazias do tipo ''não sei o que eu faria sem você'' ou coisa do gênero - era mentira pura, simplesmente acharia outro ombro qualquer se não o achasse antes.
A melancolia veio bem a calhar nos momentos de embriaguez que se seguiram, e embriaguez que se preze trouxe consigo a inconveniência. A humilhação autoimposta veio em fases: Primeiro o ataque nervoso, depois a ilusão do contentamento e por fim a depressão pós mágica. A nova felicidade viria logo em seguida, pelo menos é o que estava no contrato. O mundo parou o giro nos três quartos finais do final feliz, ela não era capaz de lidar com isso.
Parecia quase combinado, o tempo vagarosamente se espreguiçou enquanto tudo acontecia.
Sofreu em silêncio inverso, gritando ao mundo falsa felicidade e contentamento. Ela não estava acostumada a perder e até então o mundo era seu quintal. Até onde a vista alcançasse tudo era flor e beleza nos campos injustos da vida sentimental e amorosa, que se mostrou traiçoeira e cheia de má fé. Tentou incessantemente culpar o pobre miserável, procurou enxergar trevas onde não existia escuro além de tons grafite... quase chegou a acreditar numa verdade alternativa e confortável, mas seu discernimento era maior que isso, o que piorava a melancolia.
''Como pôde acontecer? A entrega foi completa! Me expus, me doei... inteira.''
Ela não entendeu que ele fez o melhor que pôde. Ele lamentava os machucados que havia causado, e como lamentava.
''Desde quando lamentação cura ferida?''
Sentia o peso da responsabilidade, toda a instabilidade dela era sua culpa e ele sabia. Sabia também que não ajudaria em nada se manter bonito e presente, a solidariedade seria venenosa, então preferiu se ausentar em blocos de gelo. Se disfarçou de esquimó e foi frio o quanto conseguiu: ''melhor que me odeie do que me ame sofrendo''. - Não parecia certo, mas a relatividade da resposta era ensurdecedora, a pergunta era vaga demais! Gritava alto, principalmente devido ao fato de que o que à feriu foi a verdade pura, e não existe justiça maior do que isso.
A verdade é que nunca houve mentira, e quando o que deveria ser ''para sempre'' se tornou um ponto final, tudo ficou feio e putrefaço.
Ela viveu então o resto de seus dias, ele viveu os dele. Não houveram mais sorrisos trocados entre ambos, os olhares foram para sempre resumidos a espiadelas. Ela voltou a ser feliz, ele continuou tentando achar seu caminho, não sei se consegui.
A melancolia veio bem a calhar nos momentos de embriaguez que se seguiram, e embriaguez que se preze trouxe consigo a inconveniência. A humilhação autoimposta veio em fases: Primeiro o ataque nervoso, depois a ilusão do contentamento e por fim a depressão pós mágica. A nova felicidade viria logo em seguida, pelo menos é o que estava no contrato. O mundo parou o giro nos três quartos finais do final feliz, ela não era capaz de lidar com isso.
Parecia quase combinado, o tempo vagarosamente se espreguiçou enquanto tudo acontecia.
Sofreu em silêncio inverso, gritando ao mundo falsa felicidade e contentamento. Ela não estava acostumada a perder e até então o mundo era seu quintal. Até onde a vista alcançasse tudo era flor e beleza nos campos injustos da vida sentimental e amorosa, que se mostrou traiçoeira e cheia de má fé. Tentou incessantemente culpar o pobre miserável, procurou enxergar trevas onde não existia escuro além de tons grafite... quase chegou a acreditar numa verdade alternativa e confortável, mas seu discernimento era maior que isso, o que piorava a melancolia.
''Como pôde acontecer? A entrega foi completa! Me expus, me doei... inteira.''
Ela não entendeu que ele fez o melhor que pôde. Ele lamentava os machucados que havia causado, e como lamentava.
''Desde quando lamentação cura ferida?''
Sentia o peso da responsabilidade, toda a instabilidade dela era sua culpa e ele sabia. Sabia também que não ajudaria em nada se manter bonito e presente, a solidariedade seria venenosa, então preferiu se ausentar em blocos de gelo. Se disfarçou de esquimó e foi frio o quanto conseguiu: ''melhor que me odeie do que me ame sofrendo''. - Não parecia certo, mas a relatividade da resposta era ensurdecedora, a pergunta era vaga demais! Gritava alto, principalmente devido ao fato de que o que à feriu foi a verdade pura, e não existe justiça maior do que isso.
A verdade é que nunca houve mentira, e quando o que deveria ser ''para sempre'' se tornou um ponto final, tudo ficou feio e putrefaço.
Ela viveu então o resto de seus dias, ele viveu os dele. Não houveram mais sorrisos trocados entre ambos, os olhares foram para sempre resumidos a espiadelas. Ela voltou a ser feliz, ele continuou tentando achar seu caminho, não sei se consegui.
Suja.
''Comigo você pode ser suja, verdadeira, intensa...'' - respondeu mentalmente. A indagação havia sido feita em palavras escritas, nada mais justo do que responder em palavras imaginárias.
Entorna toda a perversão acumulada em seu corpo e me faz alvo
Me molha de suor e me arranca sangue na unha, me encharca no dilúvio do orgasmo
Deixa o ambiente com cheiro de paixão consumada, sem vergonhas ou pudores
Vem para o meu leito e encarne mais um dos meus mil amores
Entre os cúmplices para o crime do pecado carnal, estarão além de nós, mais quatro paredes brancas e curiosas
Quatro mudos fetichistas, escravos do voyeurismo, observadores complacentes
Luz acesa, olhos nos olhos, olhos também no resto que não enxerga, por que não?
Quente.. fervendo em pressão, deixando brancas as pontas dos dedos... é o toque.
Gosto de quero mais, o não querendo ser sim da forma mais descarada possível
A cama não se contentou em ficar bagunçada sozinha, o quarto virou história
Vítima de uma guerra passional, onde o bom samaritanismo lutou feroz contra a ideia do usar e abusar
Conscientemente aconteceu um apocalipse físico, deleite total
Mas no resumo da história aconteceu diferente e o lema acabou sendo:
''me ensina a solidão de ser só dois''
No fim foi só isso, que apesar de muito, não foi dos mais maiores
O coração que geralmente é ator principal resolveu ser coadjuvante, não quis se envolver e resolveu ir tomar um sorvete na padaria... o sabor ninguém nunca soube.
Entorna toda a perversão acumulada em seu corpo e me faz alvo
Me molha de suor e me arranca sangue na unha, me encharca no dilúvio do orgasmo
Deixa o ambiente com cheiro de paixão consumada, sem vergonhas ou pudores
Vem para o meu leito e encarne mais um dos meus mil amores
Entre os cúmplices para o crime do pecado carnal, estarão além de nós, mais quatro paredes brancas e curiosas
Quatro mudos fetichistas, escravos do voyeurismo, observadores complacentes
Luz acesa, olhos nos olhos, olhos também no resto que não enxerga, por que não?
Quente.. fervendo em pressão, deixando brancas as pontas dos dedos... é o toque.
Gosto de quero mais, o não querendo ser sim da forma mais descarada possível
A cama não se contentou em ficar bagunçada sozinha, o quarto virou história
Vítima de uma guerra passional, onde o bom samaritanismo lutou feroz contra a ideia do usar e abusar
Conscientemente aconteceu um apocalipse físico, deleite total
Mas no resumo da história aconteceu diferente e o lema acabou sendo:
''me ensina a solidão de ser só dois''
No fim foi só isso, que apesar de muito, não foi dos mais maiores
O coração que geralmente é ator principal resolveu ser coadjuvante, não quis se envolver e resolveu ir tomar um sorvete na padaria... o sabor ninguém nunca soube.
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